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Autoestima sem atalhos

  • Foto do escritor: Luís Henrique F. Michel
    Luís Henrique F. Michel
  • 25 de fev. de 2019
  • 2 min de leitura

Confesso achar curiosa a busca intencional por uma melhora na autoestima. Explico-me: autoestima, a meu ver, não é como um produto que se pode adquirir, como se faz com um bem de consumo. É, antes disso, um olhar sobre si, normalmente acompanhado por uma avaliação (“alta” ou “baixa” autoestima). Algumas vezes, tenho a impressão que se procura “encurtar o caminho”, almejando-se a melhora de autoestima, sem que se faça o mínimo esforço de procurar se perceber.

Como posso afirmar que um filme é bom, sem que o tenha visto? Como posso avaliar o prato de um restaurante, sem antes ter provado o seu sabor? Ou ainda, como dizer algo sobre uma cidade que eu nem sequer visitei? A mesma lógica pode ser aplicada para se pensar a questão da autoestima. Como posso ter estima (alta ou baixa, não importa) por alguém que não conheço? E será que posso mesmo dizer que me conheço? Que experiências tenho a meu respeito? Quão bem sei de minhas sensações, crenças, desejos, ressentimentos? Estou ciente de minhas dinâmicas? E de minhas limitações?

Uma autoestima alta não implica em se fazer elogios ou em negar partes nossas que não apreciamos. Consiste, sim, em lançar um olhar sincero (e acolhedor) sobre quem somos. Tornar presente para nós mesmos aquilo que faz parte de nós, para - aí sim - podermos afirmar: este sou eu e tenho apreço por quem sou. Nesse momento, nos tornamos aptos a nos avaliarmos. Caso contrário, ficamos suscetíveis às impressões dos outros. Acredito que o filme é ruim, porque alguém me disse. Confio que couve-de-bruxelas é maravilhoso, porque uma tia me convenceu disso certa vez.

A autoestima está intimamente ligada ao autoconhecimento. E este é um processo interminável: por vezes difícil, por vezes prazeroso. Diz a canção que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Algumas vezes, porém, precisamos ser lembrados de quais são nossas dores e delícias e acompanhados nesse processo de perceber-se. A psicoterapia é um dos caminhos que podem auxiliar nessa descoberta.

Em um processo psicoterápico, o terapeuta é alguém que auxilia a tornar presente aquilo que não está tão evidente para nós. É um olhar que acompanha, como um companheiro de viagem que nos chama a atenção para algo da paisagem que não estávamos a perceber. E através desse olhar, conseguimos nos ver melhor. A autoestima se modifica, portanto, em meio a um caminho, onde se torna imprescindível a disposição para olhar-se demoradamente.


 
 
 

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